Travessa

Remodelação de apartamento – Lisboa – 2014

A amada primeira casa de um casal, foi após a sua saída, sucessivamente alugada durante 30 anos. A sua espera por um futuro melhor perlongava-se vazia no mercado há 8 meses, fruto do seu próprio estado de degradação. Oportunidade ideal para que, recuperando o amor, voltasse a ser primeira casa, agora de um dos filhos desse mesmo casal.

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Se é verdade que a vida é feita de fases, e as famílias de gerações ambas resultando em ciclos, que se repetem formando a sua história, composta por histórias, mais verdade ainda é que as casas são, simultaneamente, espectadores pacientes e participante activos desses mesmos ciclos alternados. Esta casa não é diferente – poderá até ser paradigma desta relação causa efeito entre ciclos de vida e alterações espaciais – tendo já assistido a dois pedidos de netos a avós, a que a eles fosse cedida para começarem a sua vida.

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Esses avós são pais e filhos, e esses netos igualmente pais e filhos e assim falamos de quatro gerações de uma mesma família, sem ainda falar de espaço ou arquitectura, mas sim de relações. Pois, é de relações que cremos se faz a arquitectura e se constroem os espaços; de matéria viva, vivências, memórias e energia transportada e partilhada por quem está sempre presente – a casa.

Há nesta intervenção um claro ANTES e DEPOIS.

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O espaço parece radicalmente diferente, mas a transformação é efectivamente resultado de alterações pontuais e cirúrgicas.  A casa deu “um passo atrás”, retomando a sua tipologia original T2, que outrora tinha sido alterada para ter uma maior sala; as diferentes conformações que a casa presenciou são, não só fruto dos desejos dos seus habitantes, mas da vida e atitude perante a privacidade e forma de receber “em casa” da época das transformações.

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O projecto baseou-se em evidenciar a maior potencialidade existente: a valorização da luz de sul que inunda a casa ao longo do dia. Descompartimentar a casa conferindo-lhe abertura, ventilação cruzada, luminosidade e uma menor definição entre os espaços, o que dá à casa um sentimento leve e informal.

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Esta transformação foi essencialmente atingida através da remoção de uma parede e construção de outras duas, um trabalho de tectos, para unificação do espaço, em detrimento da valorização da sala e a alteração de caixilharias, com o objectivo de redefinir a relação entre interior e exterior.

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Esta obra “civil” que, muita responsabilidade tem na transformação, foi exponenciada pelo desenho e construção de todo o mobiliário, específico para aqueles lugares e funções. O desenho e construção do mobiliário ser parte integrante no projecto foi essencial para o resultado final e o cumprimento do único pedido da metade menos exigente dos clientes: arrumação para que os 63m2 permitissem conter e esconder a desarrumação do dia-a-dia e da vida em geral…

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Todos os espaços foram aproveitados e os detalhes desenhados, imaginados e construídos entre amigos em obra, o que fez com que, a casa, mesmo antes de ser habitada, já tivesse memórias.

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Esse processo leva a um maior conhecimento dos defeitos do resultado, mas simultaneamente a uma muito maior paixão pelos espaços, objectos e materiais, pois esses foram moldados pelas mãos e cabeças de pessoas amigas. Os defeitos e virtudes nesta casa têm nome: aquela falha na pintura foi a … ou a decisão de colocar assim a bancada foi o …

Pequenos defeitos que a tornam única.

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No momento em que as pessoas deixaram de pensar o recheio das suas casas para o tempo de uma vida para passar a pensar a 3 / 5 anos, muito fruto das dinâmicas de mercado e do IKEA, esta foi a resposta da POLIGONO a um mobiliário que se torna um com a casa e o seu desenho e especificidade, lhe dá o valor que noutros tempos era dado pela qualidade dos materiais e ausência de falhas nos acabamentos.

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 Para fotografias da obra que está a decorrer, visita o nosso TUMBLR!

Arquitectura e Construção: André Albuquerque, Marta Leitão, Pedro Snow, Raquel Dias Ferreira, Tomas Sales e Federica Gervasi

Colaboração: Filipe PrósperoSimão Castro, Diogo Belo, Martinho Lucas Pires, Inês Fonseca, Marta Carneiro

Construtora: DUARLAR

Fotografia: POLIGONO e Pedro Lucas

Clientes: Pedro SnowMarta Carneiro