Lá-fora, Cá-dentro

Quarto de férias – Torres Vedras – 2012

A ideia consistia em fazer dois móveis em três dias… Uma vez construída, acabou por demorar quinze.
Eis a história do dia em que a POLIGONO se transformou num caso bicudo
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A reestruturação da distribuição de uma casa de férias de família, fruto do crescimento da mesma família, e para a qual a POLIGONO já anteriormente tinha construído uma obra (ver Celeiro no portfólio), apresentava desta feita o simples mobilar de um quarto de não mais de 8m2 (confrontar com desenhos esta informação).
Num espaço tão exíguo, a proposta consistia em fazer dois móveis aparentemente iguais em que um estivesse um deitado – a cama – enquanto o estivesse de pé – o armário, resolvendo desta única forma todo o enunciado tentando libertar ao máximo o espaço remanescente.

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A equipa da POLIGONO deslocou-se em peso ao local e deu inicio aos trabalhos, prevendo um período de execução da obra de apenas 3 dias.

Contudo, a “arquitectura-desenhada-com-escopro” reserva sempre as suas surpresas e na manhã do primeiro dia, ao remover parte do tecto para a devida ancoragem do móvel armário, tomou-se consciência do enorme espaço livre até à cobertura efectiva e na potencialidade que o mesmo oferecia em desanuviar a reduzida dimensão do espaço.

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Assim, e numa decisão sem precedentes (ainda que com consequências por medir), abandonou-se o projecto desenhado e passou-se a um desenho in situ, naquele que é, nesta medida, um dos mais exemplares projectos da metodologia-POLIGONO.

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O espaço conquistado, como quem escava um buraco sobre as suas cabeças, foi então ‘selado’ mediante o prolongamento até à cobertura das paredes que o delimitam e o revestimento das mesmas com argamassa de barro  estabilizando deste modo de forma definitiva as assimetrias higrométricas de que o espaço sempre padeceu, e com assumida ironia reforçando a ideia de espaço ‘escavado’.
O tecto foi revestido com isolamento térmico (garantindo qualidade térmica), e finalmente as antigas madeiras do tecto foram reutilizadas como revestimento do mesmo.

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Garantida a qualidade do ar bem como a percepção de um espaço amplo, o projecto finalmente resumiu-se à construção de um estrado a meia altura indicando a zona de dormir, o revestimento de um nicho na parede indicando uma arrumação diáfana.

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Como um pássaro finalmente livre depois de uma década engaiolado, o proprietário deu o toque final, aproveitando a nova altura para colocação de um baloiço. Como quem estivesse lá fora, mas cá dentro.

Para mais fotografias da obra, visita o nosso TUMBLR!

Arquitectura e Construção:  André Albuquerque, Marta Leitão, Pedro Snow, Raquel Dias Ferreira. Construção: Alec Gardner, Cristina Alonso, Mariana Albuquerque, Rita Ramos, Vera Sacchetti. Fotografia: Inês Amorim e POLIGONO Cliente: Isabel Pires da Silva