Celeiro

Quartos de férias – Torres Vedras – 2011

Uma quinta de família nos arredores de Lisboa assiste aflita ao aumento súbito do seu agregado familiar. À felicidade de uma casa cheia de crianças, acompanha a necessidade de mais camas. Um antigo celeiro sem ocupação parece ser o lugar ideal para intervir…

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No final do ano de 1997, uma família de Lisboa finalmente concretizou o almejado desejo de possuir uma segunda residência, onde juntar família e amigos longe do bulício urbano.

Porém, muito se alterou nestes quase 15 anos. Os que antes eram Os pais são agora Os avós, e os filhos de antes transformaram-se nos pais de hoje. Família e amigos passaram a ser cada vez mais, de tal sorte que a enorme casa, sem alterações desde então, foi parecendo cada vez mais pequena.

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A intervenção da POLIGONO inicializou-se pela elaboração de um extenso relatório, contemplando um leque alargado de possíveis respostas, tanto quanto à reutilização de antigas dependências agrícolas/vitivinícolas, como quanto à viabilidade de aquisição de pequenas casas vizinhas na aldeia. Da avaliação de todas as possibilidades, e dando igual destaque, tanto aos custos estimados de investimento, como aos de manutenção a largo prazo, foi finalmente decidido, concentrar a intervenção num antigo espaço de celeiro, à data sem particular ocupação.

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O programa incluía para os cerca de 85m2, em primeiro lugar, a inclusão de camas para até oito pessoas, que permitisse albergar as mais ou menos frequentes visitas de familiares e amigos. Seguidamente, deveria tentar preservar ambos os espaços comuns já existentes no referido celeiro: tanto a área de ténis de mesa e matraquilhos como o espaço de leitura silenciosa do proprietário. Finalmente, deveria considerar a necessidade de serviços sanitários, preservar a situação de ventilação cruzada para verão, e garantir o conforto adequado – e tão económico quanto possível – para inverno.

A proposta, integralmente construída pela própria equipa da POLIGONO, consistiu num espaço que simultaneamente garantisse um nível razoável de privacidade para quem nele pernoita, sem contudo perder o sentimento de um só espaço, uno, sob o mesmo antigo tecto de celeiro.

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Recorrendo a paredes ligeiras de gesso cartonado, com isolamento acústico, dividiu-se a ala sul do celeiro em três ‘quartos’ para duas pessoas cada, e ainda se deu lugar a uma pequena biblioteca. O espaço restante, com uma renovada e controlada proporção, garante tanto a permanência das antigas actividades, como um prolongamento natural das actividades semi-privadas que, habitualmente, têm lugar nos quartos, conferindo uma nova e sedutora experiência à reunião familiar tantas vezes convocada.

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Na sala do piso inferior, recorrendo a um recuperador de calor de grande potência colocado dentro da lareira existente, foi possível encaminhar ar quente directamente para cada um dos quartos, enquanto que uma casa de banho já existente, foi ampliada para nela incluir um duche.

O antigo celeiro ganhou deste modo uma nova magia, e no espaço competem hoje em partes iguais, livros, lençóis, computadores, legos, e popós. Nem sempre de forma ordenada…

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Para mais fotografias da obra, visita o nosso TUMBLR!

Arquitectura e Construção: André Albuquerque. Construção: Cristina Alonso, Isabel Pires da Silva, Mariana Albuquerque, Miguel Reynolds, Pedro Snow. Fotografia: Francisco Oliveira Santos e POLIGONO Cliente: Isabel Pires da Silva