as Praias

Concurso – Master Plan – Figueira da Foz – 2011

Um pontão construído para proteger o porto, teve como reacção a acumulação descontrolada das areias. O homem interveio pontualmente enquanto as marés, as correntes e os ventos fizeram o resto. Também nós intervindo pontualmente, desta feita sobre o areal, propomos apenas mais do mesmo: induzir os elementos naturais a desenhar a praia pretendida. A continuação de uma história naturalmente artificial.

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Identidade

A areia não deve ser encarada como mais uma ‘oportunidade’ imobiliária per si. O enorme potencial do areal está contido na sua génese: a possibilidade da praia.

Decorrente do pontão que protege a navegabilidade do porto a jusante, a praia da Figueira – Buarcos, assistiu nos últimos 50 anos a um colossal assoreamento da sua praia. Às acções humanas planeadas, o mar reagiu de forma lenta – mas constante – configurando uma nova situação não planeada. O resultado é o areal actual, o maior areal urbano europeu, que contudo divorciou de forma aparentemente indelével a cidade do mar.

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Proposta

Seguindo os mesmos processos de manipulação humana de águas e areias, que geraram este novo território, é agora possível devolver a praia à cidade, ‘inundando’ a zona central do areal.

A reaproximação da água contribuirá significativamente para a revalorização da frente edificada, enquanto libertará a frente atlântica da pressão urbana, permitindo a sedimentação e reaparecimento dos frágeis sistemas naturais marítimos autóctones.

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A relação entre a marginal e a praia é objecto de renegociação, visando atenuar o actual efeito de barreira do extenso areal. A abolição pontual desta fronteira abre caminho a novos territórios multifuncionais, onde as actividades balneares se fundem com a cidade.

Uma praia de identidades simultaneamente urbana e atlântica.

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Intervenção

A proposta consiste numa intervenção- apesar de tudo mínima – na paisagem, apostando na construção cirúrgica de elementos que fomentarão a reacção dos agentes naturais, recorrendo deste modo aos mesmos processos que determinaram a génese deste mesmo território.

Movimentando acupuncturalmente as areias de uma parte da praia, criando desse modo um ‘leito’ que una simultaneamente ao mar e ao rio permitindo a sua inundação. Simultaneamente uma série de esporões pontualmente erigidos sobre as linhas costeiras bem como estratégicas zonas de estacaria na nova praia atlântica permitirão que sejam as marés, as correntes, os ventos e as ondas que interagindo com as dunas, as margens ou os fundos marinhos, realmente construam a morfologia final que agora se apresenta: um resultado a médio-largo prazo que pretende dar um novo e surpreendente capítulo à história iniciada há mais de 50 anos, com a construção do pontão norte.

Uma história naturalmente artificial.

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Equipa de projecto: André Albuquerque, João Fagulha, João Ruivo, Pedro Snow, Raquel Oliveira. Cliente: Município da Figueira da Foz.