As casas da Moita

6 casas geminadas – Moita – 2006

Um antigo ‘clube de tiro’, fechado durante mais de 15 anos por morosos processos sucessórios, procura finalmente ser alguma outra coisa. Determinar, concretizar e levar avante a dita ‘coisa’ é o desafio lançado.

 2-casa-da-moita-perspectiva

casa-moita-render-alterado-raq

  —

Na principal artéria da alentejana Moita, aos mesmos dois passos da Praça da República e da bucólica Av. Marginal, ali onde um esmerado desenho urbano e renovada iluminação pública, pretendem apresentar a vila como uma localidade moderna e dinâmica em pleno séc. XXI, um dos mais simbólicos edifícios, o ‘clube de tiro’, antigo espaço de tertúlia da vila, resiste devoluto aos ares da modernidade.

Um processo de heranças complicado, a aparente impossibilidade de articular esforços conjuntos de investimento no local e a extrema dificuldade em saber entender qual poderia ser o novo uso ideal a atribuir a dita morada, foram as razões para que esta edificação de valor arquitectónico significativo para o património da vila, chegasse ao ponto de ruína irrecuperável em que se encontra, do qual apenas se salva ainda a fachada, cantarias e cornija.

  1-casa-da-moita-fachadas

O enunciado passa então, por primeiramente identificar qual o produto ideal no qual se deveria reconverter o dito imóvel, passando pelo desenho do mesmo para avaliação de custos de investimento e de resposta de mercado para que, finalmente, pudesse ser estudada a viabilidade de construção pela própria família, ou a colocação em venda desta propriedade.

A proposta, identificou a sedução de viver na pacatez de uma vila de imenso carácter, a par da surpreendente proximidade a Lisboa, fruto tanto de ligações fluviais como da ponte Vasco da Gama a montante, como vectores ideais para a oferta de aquisição de casa própria a jovens casais.

Assim, propusémos 6 casas geminadas – 4 por detrás da actual fachada do antigo clube de tiro e 2 outras no terreno vazio contíguo, cada qual com três andares. As 6 casas, ostensivamente estreitas, têm uma escada central de um só lance, como ponto em volta do qual se articulam os espaços. No piso térreo contemplam tanto uma sala mezanine aproveitando as esbeltas janelas da fachada, uma cozinha com ampla janela sobre logradouros privados a tardoz e ainda despensa e casa de banho social. No primeiro piso, há lugar para a mezanine da sala e para a suite e, finalmente, no segundo andar, sob tectos inclinados, há espaço para dois quartos e respectiva casa de banho partilhada.

Espessas paredes portantes de betão, compõem simultaneamente, a divisão entre casas independentes e a própria estrutura da casa, na qual se encastrará posteriormente uma estrutura de madeira tradicional para suporte dos pisos.

O pavimento do piso térreo, bem como a cobertura do último piso são também elas em betão à vista enquanto a fachada seria integralmente revestida de azulejo rectificado, de cor azulada da região, aplicado mecanicamente.

Seis casas entre os 130 e 160m2, com logradouros privados entre os 20 e os 80m2, um sistema construtivo de custos muito controlado, e uma primazia ao tratamento e recuperação das fachadas existentes foi, deste modo, a solução legal e finalmente aprovada.

casa-da-moita-cortealçado

casa-da-moita-planta0casa-da-moita-planta1

  Equipa: André Albuquerque, Pedro Pinto Correia Cliente: Francisco Barbosa Marinho