Pedro

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Confrontado e enfrentado por uma folha em branco que me pressiona a definir-me. Receio começar a colocar letras umas atrás das outras com medo que me definam demais ou de menos, que escreva demais no meu jeito atafulhado e se torne aborrecido ou que escreva de menos e sinta que ficou tanto por dizer, ou até que pareça que nada tenho a acrescentar.

Este olhar retrospectivo traz ao presente a importância que a minha infância tem na forma como vejo e vivo o dia-a-dia e o que faço.

Trazido ao mundo em 1988, numa família anglo/lusófona em que liberdade, responsabilidade e senso comum eram as palavras que precediam o apoio total a todas as ideias e acções que viessem dos seus três filhos.

a arquitectura não deixa de existir quando o dinheiro escasseia

Desde cedo queria ser arquitecto, não sei desde quando e menos ainda porquê mas acredito ter sido influenciado pelo impacto, envolvência e visibilidade da profissão.

Esta visão mediática, do arquitecto enquanto icon, afirmada pela sociedade, media e até pela academia foram ao longo da minha formação sendo substituída por um crença de que a arquitectura existe em todo o lado e não deixa de existir quando o dinheiro escasseia. Nesse sentido acredito que é a própria arquitectura, e subsequentemente os arquitectos que se têm que adaptar e reinventar para se adequar às necessidades e possibilidades das pessoas, e não o inverso. Isto leva a uma inerente necessidade de pró-actividade.

No fundo, quando construía as minhas cabanas durante a minha infância, sem saber construía também o processo de projecto no qual me revejo hoje.

1. Começava por identificar uma necessidade, com as suas especificidades – nesse caso uma cabana, ora por vezes um refúgio de lazer outras vezes uma fortificação bélica.

2. De seguida analisava que oportunidades/possibilidades existiam tanto em termos económicos como de materiais – a minha semanada só dava para comprar um tanto número de pregos! Assim criava “parcerias” ora com um ou ambos os irmãos ora ao “obrigar o pai a pedir” paletes usadas nas vizinhanças. Era desta forma que colmatava o resto do “orçamento” de graça.

3. Começava a construção, envolvida de uma aprendizagem constante, umas imediatas outras mais distendidas no tempo. Aprendizagem e construção que se fazia tanto com as mãos como com a cabeça, por vezes pensava mais com as mãos que com a cabeça; não que isso queira dizer que construía mais com a cabeça.

Hoje contínuo a rever-me nesta atitude mais prática que teórica, se bem que em tudo o equilíbrio é o objectivo.

4. Por fim, usufruía. Até partir para outra, por uma qualquer razão, levando comigo a aprendizagem que ganhei com essa. Fazendo da próxima sempre melhor.

É esta a forma como vejo a vida, um constante aporte de conhecimento de todas as áreas e pessoas com que me cruzo para constantemente ir crescendo e me completando e ir oferecendo/partilhando o que sou.

Projectos em que participou: CeleiroAs praiasoficina Poligono e imagem Poligono, , TrinasCasa dos PátiosCasinha de S.PedroSuminhoSabores de CintraS.Miguel, 13CarpetesSeagullTerraço AlmiranteRaised GardensLá-fora, Cá-dentroQuatro QuartosQta de Sto AntónioCasa de ValmarinhaS.MarçalAfonso IIIMaximoldeSotão da casa velha, Casinha do Desterro, Radical Pedagogies, Travessa, MELT Duque D’Ávila, MELT ValmorGetting Through, My Case, Casa do Meco, Ilha Paez, Avô de Aluguer, Alfama, SITIO, Le Bureau

Resumo curricular:

1988           Nasce em Outubro em Lisboa
2006-12     Mestrado Integrado em Arquitectura, no Instituto Superior Técnico, Lisboa
2009-10     Trabalha no Atelier VCA arquitectos, em Lisboa, Portugal
2010-11     Erasmus na  Technische Universiteit Eindhoven, Holanda
2011           É assistente  de Dr. Arch Irene Curulli, na Technische Universiteit Eindhoven, Holanda
2011-12     É assistente de Drª. Arqª. Teresa Valssassina Heitor, no Instituto Superior Técnico, Lisboa
2012           Em Janeiro funda a POLIGONO juntamente com André Albuquerque

Contacto: pedrosnow@poligono.org

6 years, 4 months ago Comments Off on Pedro