Francesca

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Acredito que os segundos, sendo os segundos, têm a possibilidade de fazer melhor que os primeiros(…)

Chamo-me Francesca e sou a segunda de quatro irmãos.

Acredito que os segundos, sendo os segundos, têm a possibilidade de fazer melhor que os primeiros e sempre gostei desta parte.
Nasci há 25 anos atrás em Itália, numa cidade que poucos conhecem, mas que valeria a pena visitar: Bologna. A minha mãe transmitiu-me o lado artístico e criativo, o meu pai o lado mais prático. Com a minha mãe era habitual ir a exposições de arte desde nova; com o meu pai passavam-se os domingos na oficina, desmontando a vespa Piaggio Primavera ou desengordorando ferragens com benzina.

Aproximei-me à Arquitetura e ao design aos poucos, mas acredito estar ainda muito longe.

Por acaso escolhi o Porto para fazer o mestrado em design de interiores e foi uma daquelas decisões de vida bem tomada.
Apaixonei-me pelo ar que se respirava na cidade, muito diferente do que respirei em Milão.
Apaixonei-me pelos portugueses, apesar de namorar com um rapaz italiano.
Apaixonei-me pelos comércios locais que infelizmente na Itália estão a desaparecer, pelas lojas de ferragens da rua do Almada,  pelas atividades escondidas que ocorrem na rua mais inesperada da cidade.

Apaixonei-me.

Finalmente apaixonei-me pela arquitetura: pela arquitetura decadente da baixa do Porto, pela luz que os edifícios de Lisboa emanam, do magnetismo das cidades que descobri em Moçambique, na Guiné Bissau e em Goa.
Apaixonei-me sobretudo por uma arquitetura à medida do homem, feita de matérias deterioráveis, que produz cidades que resistem à passagem do tempo com o mesmo fascínio do início.

Não me atraem as grandes obras de arquitetura, os esforços para construir o arranha-céus mais alto ou torto do mundo, não estou muito seduzida pelo avanço tecnológico ou científico e acredito que haja muito caos no que diz respeito ao papel que, a maior parte, atribui à arquitetura.

Por esta razão os meus olhos estão sempre prontos a investigar, quer nos livros, quer no mundo real, as razões desta crise (que não é só económica) tentando encontrar soluções sustentáveis pelo ambiente, pelo património histórico, mas sobretudo pelas pessoas.

Projectos em que participou: Jacuzzi Triplex, Casa dos Pátios, Quinta de Sto António, Casa de Valmarinha, Quinta de Almagra e Casa do Meco

Contacto: francescavita@poligono.org

 

5 years, 3 months ago Comments Off on Francesca